terça-feira, 29 de setembro de 2026

Grupos alvo das ciências humanas e sociais

"A preocupação normativa em distinguir as esferas da ciência e da política tem marcado a sociologia desde seus esforços iniciais, no século XIX, para se estabelecer como uma disciplina científica, constituindo, o ensaio de Max Weber (2004) a esse respeito, uma referência paradigmática. Quando o interesse do analista é, entretanto, compreender a historicidade das concepções e práticas que marcaram a trajetória do campo, essas fronteiras não devem ser assumidas como naturais ou dadas de uma vez por todas, mas vistas como constructos contingentes e constantemente negociados, elaborados com base em valores, visões de mundo e interesses de atores e grupos sociais determinados, inscritos em um tempo e lugar também específicos (Shapin, 1992).

No caso em tela, buscamos examinar que ideais de sociedade informaram tanto o esforço de Pierson em demarcar as fronteiras do que denominou de sociologia científica quanto as abordagens e os enquadramentos teóricos que julgou pertinentes para o estudo da vida social. Nesse sentido, no lugar da tentativa de desvelar possíveis motivações ideológicas inconfessáveis na produção científica do sociólogo, propomo-nos a analisar, a partir de uma perspectiva informada pela história e pelos estudos sociais da ciência contemporâneos, de que maneira seu esforço para instaurar um regime epistêmico específico para a sociologia no Brasil constituiu, ao mesmo tempo, a defesa de determinadas formas de ordenamento do mundo social.2"

MAIO, M. C.; LOPES, T. DA C.. Entre a ciência e a política: Donald Pierson e a busca por uma sociologia científica no Brasil. Sociologias, v. 24, n. 60, p. 228–266, maio 2022.
https://doi.org/10.1590/18070337-110170


"Por causa disto, para além de pensar no progresso da ciência, precisamos progredir dentro da ciência. O atual modelo epistêmico hegemônico no ocidente é temporalmente, espacialmente e socialmente localizado, ou seja, ele foi construído em uma determinada época, refletindo o contexto social-histórico da mesma e do grupo que o produziu (Sondra FARGANIS, 1997). Este grupo consistia, majoritariamente, de homens brancos, ocidentais e burgueses, que se beneficiavam da estrutura de dominação colonial, racista, patriarcal e capitalista que se desenvolvia no século XVIII (CODE, 1993; FARGANIS, 1997). Isto significa que ele não é uma “lei natural” ou algo imutável. Da mesma forma como se produziram críticas às concepções anteriores ao seu surgimento, agora se produzem críticas que reivindicam uma ruptura da qual nasça um modelo epistêmico mais apropriado às necessidades do contexto social atual. E, olhando para as críticas feministas à ciência, espera-se que o novo modelo epistêmico reflita, ao invés dos interesses dos grupos dominantes, as perspectivas dos grupos dominados (HARDING, 1993; Diana GONZÁLEZ e Nelson RENGIFO, 2009; Breny MENDOZA, 2014).


Já o feminismo standpoint surge debaixo de grande influência marxista. Ele questiona os princípios fundamentais do modelo (neo)positivista e defende que uma ciência não pode ser neutra - ela precisa estar comprometida com a transformação social, com a eliminação do sistema de dominação. Porém, isso não significa negar a ciência, ou a produção de um conhecimento coerente com a realidade. Pelo contrário, quanto mais precisa a análise, melhor a intervenção no fenômeno. Assim, as feministas desta corrente reconstroem a ideia de objetividade, que ao invés de ser entendida como a separação da subjetividade, passa a ser definida como um processo crítico desta. Por fim, as feministas do standpoint defendem que a ciência deve partir do olhar dos grupos subjugados. Ao estar, simultaneamente, em uma posição de dominação e resistência, eles teriam uma perspectiva mais ampla da sociedade do que o grupo dominado, e, portanto, um privilégio epistêmico (Nancy HARTSOCK, 2003; HARDING, 1993)."

GÓES, J.. Ciência sucessora e a(s) epistemologia(s): saberes localizados. Revista Estudos Feministas, v. 27, n. 1, p. e48373, 2019. 

domingo, 13 de setembro de 2026

Uso ideológico de sociedade e história

A caracterização da história e da sociedade por viés ideológico de esquerda ou direita tem origem em usos políticos recorrentes de grupos de interesse. Ter alguma semelhança com confiabilidade e objetividade não implica necessariamente em um uso político típico. Caracterizações ideológicas possuem lacunas descritivas e um recorte "científico" não valida uma ideologia como representante isento da ciência nem como parâmetro de maior benefício comum à sociedade.

domingo, 6 de setembro de 2026

Poder e internação psiquiátrica

Casos de tolerância a absurdos no judiciário demonstram por contraste que internação psiquiátrica são direcionadas a pessoas sem poder e voz

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Explicitação do termo "privilégio"

O termo "privilégio" tem carga ideológica implícita e se explicitado em seus componentes implica em discussão de juízos de valor políticos. Uma explicitação do termo seria "acesso não legítimo a algo". O componente de legitimação normativa de acesso a algo se configura assim como uma questão e não uma resposta pronta. A esquerda define a legitimidade/ilegitimidade normativa de algo em termos de igualdade/desigualdade de origem ou de resultado. A direita define a legitimidade/ilegitimidade de acesso a algo em termos das consequências do respeito a contratos e à propriedade privada. A esquerda relativiza contratos e propriedade privada com o objetivo de estabelecer igualdade e isso inclui aspectos simbólicos mais sutis de acesso a algo. A direita relativiza o valor igualdade pelo reconhecimento de que contratos e propriedade privada tem resultados variáveis e uma padronização de acesso a algo através da violação de contratos e propriedade privada teria consequências difusas negativas.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Casos paradigmáticos e estrutura social

A construção teórica e inferências de estruturas sociais a partir de casos paradigmáticos é realizada de acordo com a seletividade de fatos em programas de pesquisa. Logo, existem diferentes possibilidades de seleção de fatos paradigmáticos para construções teóricas. Por exemplo, há possibilidade de direção de  construções teóricas da estrutura social caracterizada como limitadora a partir de fatos negativos e há possibilidade de construções teóricas da estrutura social caracterizada como uma estrutura de contingências em que há propriedades disposicionais de ativação de contingências tanto como otimização de possibilidades como de contrafactualidade da estrutura de propriedades. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Cultura e comportamento

Por que a cultura não é suficiente para explicação de aprendizagem de comportamentos comuns na sociedade?

Embora a descrição de sociedade e cultura como tipificação de interações e topografia de comportamento verbal realizado pelas ciências sociais seja um bom entendimento conceitual de questões amplas e distribuídas, uma vez assumida a possibilidade de pluralismo de perspectivas sem compromisso pré-estabelecido, coisa que a exatidão e precisão da análise experimental do comportamento não tem a mesma facilidade de descrição, é discutível o quanto as ciências sociais tem a capacidade de controle através de políticas públicas de transformar seu conhecimento em mudança sociais eficazes e resolutivas uma vez que a tipificação e descrição de topografia de comportamento verbal mencionados acima não são explicações completas e suficientes da aprendizagem de comportamento em escala individual e nem coletiva já que são apenas componentes do comportamento, descrições vagas e tem como ponto de partida a descrição de ficções mentalistas que não tem como fundamento último a objetividade, observação direta e descrição de contingências de reforçamento como base empírica verificável.

sábado, 14 de março de 2026

A disputa pelo Estado

A disputa de grupos políticos pelo Estado não é gratuita pois uma vez que uma perspectiva política se estabelece como dogma o Estado é mobilizado para manter essa posição.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Estigmas e política

Estigmas são armas políticas os quais são implicados por preferências prévias gerais de natureza conceitual e emocional. Logo, a estigmatização ativa deve ser interpretada como um posicionamento discursivo e emocional de grupo, isto é, perspectiva relativa e não neutra/imparcial em relação a valores sociais.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Ideologias e conceitos chave

Conservadores: obrigação

Liberais: produtividade

Esquerda: direitos

Ideologias e consequências naturais

A epistemologia liberal e conservadora tem potencial de apreensão de fenômenos sociais relacionados a consequências naturais do comportamento se esse for o ponto de partida de sua influência sobre o Estado, economia e a sociedade. Já a epistemologia de esquerda tem como risco potencial o controle de fenômenos através do Estado sem o ponto de partida de consequências naturais como base para a apreensão de fenômenos sociais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Resenha breve Mais iguais que os outros

Se isso é o máximo que a direita educada consegue entregar em temas sociais, então há algum motivo para considerar a pluralidade de posicionamentos políticos. A inserção profissional do pluralismo imagino ser mais difícil por não ter grupo de interesses e de clientes definidos.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

O uso da palavra 'fascismo'

O uso da palavra 'fascismo' na esquerda tem referentes, não somente significados, múltiplos e seria aplicado de forma mais clara se fosse mencionada a propriedade (característica) / elemento referido ao invés de um significado teórico. Dessa forma, há alguma possibilidade de entendimento mútuo comum que não se reduza a ataques e deslegitimação mútuos.

sábado, 27 de setembro de 2025

Determinismo na esquerda e direita

A força política da esquerda possivelmente tem origem não necessariamente da qualidade de seus conceitos, mas na disposição em considerar determinantes de eventos, característica bastante compatível com o conhecimento científico, enquanto que ideias de conservadores e liberais tem um recorte que depende de negação de determinantes para a defesa de seus princípios.

terça-feira, 16 de setembro de 2025

A crítica ao "woke" e a biologia

Se o sistema holístico de proposições que compõe a crítica ao "woke" precisam recorrer a noções antiquadas de ciência e biologia livre de valores sem compromisso com relações institucionais e sociais, e sem historicização da produção de conhecimento, então a base de biologia antiquada de crítica ao "woke" deveria ser discutida de ponto de vista acadêmico e rigoroso em seus pressupostos e implicações.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Limitações de liberdade, ideologia e pluralismo

A liberdade liberal não contempla todas as condições sociais e ideologias. A liberdade socialista de acesso a direitos não contempla o efeito de criação de riqueza em respeitar a propriedade privada e de limitações de criar obrigações através de coerção estatal. A liberdade socialista é uma defesa da liberdade positiva e a liberal a defesa da liberdade negativa. Uma sociedade que pende para apenas um lado portanto tem limitações de liberdade. Por isso, a defesa do pluralismo sociopolítico criaria condições sociais para contemplação de diferentes formas de liberdade, algo mais próximo da completude.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

STF, ciências humanas/sociais e valores políticos

As posições do Supremo Tribunal Federal do Brasil tem origem em questões de epistemologia das ciências humanas e sociais que não são nada atípicas dentro dessas áreas de conhecimento. Na verdade, é praticamente um padrão de qualidade nessas áreas que o conhecimento construído reflita valores políticos entendidos como virtuosos. Um conhecimento objetivo e imparcial é geralmente descrito como um formalismo ideológico com pretensões de neutralidade. Como alternativa, o conhecimento construído a partir da inclusividade e equitatividade de valores sociais e cognitivos tem bons padrões de objetividade e imparcialidade (valores cognitivos), mesmo considerando que não se faz ciências humanas e sociais sem valores políticos e sociais implícitos.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Comunidades multiculturais, discriminação e privilégios

A partir da noção de grupos minoritários discriminados e desprivilegiados, a proposta de criar comunidades multiculturais e indústria associadas é fazer reversão de modelo cultural, isto é, criar o privilégio de minorias. Cabe verificar essa afirmação em relação a cada grupo minoritário e sua forma de reversão de modelo cultural e criação de indústria e privilégio.

Obs.: Não me oponho a minorias. Isso é uma descrição apenas.


terça-feira, 18 de junho de 2024

Valor econômico da psiquiatria e da justiça social

Valor intrínseco do tratamento psiquiátrico involuntário e voluntário:

1) Justificar atitudes da família e sociedade em relação à pessoa diagnosticada.

2) Direitos sociais (Def.: direitos criados para possibilitar que os cidadãos tenham as necessidades básicas para uma vida digna garantidas. Por exemplo: educação, saúde, moradia, transporte, trabalho, entre outros. https://www.todapolitica.com/direitos-sociais/) para pessoas em desamparo (ver conceito de biolegitimidade na antropologia).

3) Oferecer tratamentos simples de aplicar em escala para pessoas em desespero e com problemas de ajuste social.

O valor intrínseco da perspectiva crítica é:

1) Propor caminhos de recuperação que superam limitações da psiquiatria tradicional e sociedade.

2) O apoio político delimitado à reforma psiquiátrica provavelmente tem algum grau de relação com a redução de risco de negócios (jurídico) que a perspectiva manicomial acarreta.

Valor econômico dos temas de justiça social:

1) Minimizar risco de negócios de empresas de acordo com a agenda de sustentabilidade ASG/ESG.

2) A agenda de sustentabilidade está fortemente relacionada com a valorização de empresas.

3) O subsídio público aos temas de justiça social provavelmente tem mais relação com essa finalidade econômica do que com a força dessas teorias sociais.

A justiça social na saúde mental mobiliza circulação da economia principalmente pelos tratamentos clínicos. É um desafio conquistar cidadania e direitos sociais para populações com baixa relevância econômica. O subsídio público aos temas de justiça social provavelmente seria maior com relevância econômica maior do público atendido. A perspectiva crítica em saúde mental e psiquiatria também teria maior subsídio público caso tais condições econômicas fossem aumentadas.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Reforma psiquiátrica: comunidades multiculturais versus incorporação

A reforma psiquiátrica e luta antimanicomial analisada do ponto de vista sociopolítico é a busca da criação de uma comunidade multicultural da loucura com subsídios públicos, um padrão de esquerda.

A crítica que se faz à adaptação é a rejeição da incorporação à sociedade majoritária por ser vista como opressora e excludente para pessoas diferentes (fobia ao diferente).

A concepção de direita da loucura é que deve ser corrigida para possibilitar incorporação na sociedade majoritária. Por isso a ênfase nos tratamentos biológicos. Uma vez que possa haver dificuldade de incorporação recorre a formas de lidar com a exclusão.

terça-feira, 16 de abril de 2024

Ideologia e ciência

O INESCAPÁVEL VÍNCULO ENTRE IDEOLOGIA E CIÊNCIA
Por Cecilia Café-Mendes


INDAGAÇÃO E CONVICÇÃO: FRONTEIRAS ENTRE A CIÊNCIA E A IDEOLOGIA
ZAIA BRANDÃO


CIÊNCIA, UNIVERSIDADE E IDEOLOGA: a política do conhecimento Simon Schwartzman

Um dos supostos mais difundidos no século XIX era o de que, graças à ciência, a humanidade poderia livrar-se da política. A ciência era considera- da o domínio da lógica e da razão, enquanto a política era a órbita da emoção e da paixão. [...] Na realidade, a ciência não eliminou, nem sequer reduziu a presença da política na vida social. Mas eliminou sua base de legitimidade, fazendo-a ser desdenhada como desprezível, irracional e indigna. Afastada a política do caminho, está aberta a via pela qual a ciência e a tecnologia podem transformar-se em tecnocracia. Podemos compreender melhor esse processo se olharmos mais de perto cada um dos meios pelos quais a ciência supostamente faria desaparecer a política.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Subsídios diretos e poder político/simbólico

Destino das emendas parlamentares em 2024
Ministérios Autorizado

Mulheres R$ 278.709.002,00
Direitos Humanos e Cidadania R$ 119.137.479,00
Igualdade Racial R$ 28.788.792,00
Povos Indígenas R$ 28.137.889,00
Cultura R$ 348.057.256,00
Educação R$ 1.770.048.607,00


Obs: Esses são apenas os subsídios diretos às teorias de esquerda. A rede econômica implicada nesses temas provavelmente é significativamente maior. As alternativas mencionadas nesse blogue não recebem financiamento nem de organizações não governamentais nem do governo, dependem de inserção no mercado para ter alguma influência e estão implicadas em um bolo econômico muito menor.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Comunidades multiculturais versus incorporação

Pelo menos no Brasil, as atitudes de esquerda e direita a respeito de grupos sociais diferentes correspondem respectivamente a atitudes de formação de comunidades multiculturais na esquerda e a incorporação à cultura majoritária na direita. Essas atitudes estão presentes tanto internamente quanto externamente aos grupos sociais diferentes.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Descrição, juízo de valor, explicação e ideologia

Ao transitar entre conhecimentos de influências ideológicas diversas é útil diferenciar o que é descrição de fatos, que não são necessariamente políticos, de juízos de valor e explicações que tem inspiração ideológica e se posicionam (discurso e interpretação) em relação aos fatos. Uma ressalva precisa ser feita em relação a descrição de fatos em ciências humanas e sociais. Os fatos nessas áreas tem natureza valorativa e influenciam a descrição de fatos. Uma discussão em filosofia da ciência é sobre a distinção fato e valor e se fato e valor são separáveis ou não.

sábado, 27 de janeiro de 2024

Esquerda, conservadores e liberalismo clássico

A esquerda é costumeiramente mais teórica e tem mais construções "científicas" pelo interesse contrafactual em transformar a sociedade. Transforma a sociedade através de regulação estatal e subsídios estatais.

O conservadorismo é menos teórico e intelectualizado pelo interesse na manutenção e defesa da tradição contra possíveis riscos e por isso prefere as análises circunstanciais.

O liberalismo clássico atua através da instituições, buscando apenas garantir um arcabouço de liberdades individuais e de condições facilitadoras da prosperidade. As pessoas precisam exercer sua liberdade dentro de um ambiente social com oportunidades aumentadas e por isso tem menos necessidade em quantidade de gestores ou controladores da prosperidade dos cidadãos através do Estado.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Liberalismo clássico e reforma psiquiátrica

Qual a melhor forma de fazer reforma psiquiátrica antimanicomial de acordo com o liberalismo clássico?

A melhor maneira de fazer uma renovação psiquiátrica liberal clássica é concentrar-se nos direitos e liberdades individuais, bem como na responsabilidade pessoal pelas próprias ações. Esta abordagem enfatiza a importância da autopropriedade e da autonomia, ao mesmo tempo que reconhece que os indivíduos têm necessidades e desejos diferentes que devem ser respeitados. Como tal, envolveria a criação de um ambiente onde as pessoas pudessem perseguir os seus próprios objetivos sem interferência de terceiros ou do Estado, ao mesmo tempo que forneceriam apoio e recursos àqueles que deles necessitam.

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Ciências sociais e valores predominantes/ascendentes

As ciências sociais representam, em larga medida, um corpo de entendimento (com certeza sistemático e empiricamente fundamentado) cuja relevância deriva de seu papel nas práticas impulsionadas pelos valores predominantes e ascendentes de nossa época, e cujo âmbito explicativo (e, onde aplicável, antecipador e preditivo) é limitado aos fenômenos "significativos" para tais práticas e para uma articulação do mundo social (e natural) adequado para promover sua manutenção e extensão. Elas representam um modo de entendimento que reflete o "senso comum" ligado a esses valores, que carece de recursos conceituais para a definição de negatividades sistêmicas (sofrimentos com causas sistêmicas), que freqüentemente identifica tendências ascendentes atuais e regularidades sociais manifestas como leis da natureza humana, que geralmente não identifica as condições estruturais das ações e (das crenças) e assim exagera a significância (causal, e portanto, os merecimentos) das conquistas individuais, e que freqüentemente pressupõe que as únicas possibilidades viáveis para o futuro são aquelas realizáveis dentro nas estruturas prevalecentes. Este pressuposto pode parecer empiricamente confirmado, na medida em que as forças sociais informadas por ele impedem (ou restringem o espaço para) o desenvolvimento de possibilidades alternativas: porém na verdade ele permanece parte da "consciência não testada" deste modo de entendimento.

A neutralidade das ciências sociais. Hugh Lacey. Atividade científica e valores volume 1

Justiça social: nem social nem justa

 https://mises.org.br/artigos/3215/a-justica-social-nao-e-social-nem-justa

quinta-feira, 12 de outubro de 2023

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Direita e esquerda - livro Bobbio

Direita e Esquerda: Razoes e Significados de uma Distinção Politica

http://libgen.rs/search.php?req=Norberto+Bobbio+direita+esquerda&open=0&res=25&view=simple&phrase=1&column=def

Saúde mental, liberalismo e deficiência

1) A quais liberdades individuais o doente mental tem direito?

Os doentes mentais têm direito à liberdade de expressão, liberdade de religião, liberdade de reunião, liberdade de associação, liberdade de imprensa e direito à privacidade.

2) Internação psiquiátrica involuntária é a melhor forma de tratamento da crise?

Não, a internação psiquiátrica involuntária não é a melhor forma de tratamento para crises. A hospitalização psiquiátrica involuntária pode ser traumatizante e pode levar a danos físicos e psicológicos de longo prazo. É importante fornecer às pessoas em crise acesso a serviços e apoios de saúde mental que sejam voluntários e respeitosos com seus direitos.

3) Quais são os princípios do liberalismo social (esquerdismo nos EUA)?

O liberalismo social é uma filosofia política que enfatiza a liberdade individual e a justiça social. Baseia-se na crença de que o governo deve proteger os direitos individuais e promover a igualdade econômica e social. O liberalismo social também apóia a ideia de um estado de bem-estar, que fornece uma rede de segurança para aqueles que não conseguem se sustentar.

4) Como as pessoas com deficiência podem prosperar economicamente?

As pessoas com deficiência podem prosperar economicamente acessando os recursos e apoio disponíveis para elas. Isso inclui assistência do governo, como benefícios por incapacidade, e apoio ao emprego, como treinamento e colocação profissional. Além disso, as pessoas com deficiência podem se beneficiar de isenções fiscais e outros incentivos financeiros.

5) Como as pessoas com deficiência podem prosperar economicamente de acordo com o liberalismo econômico?

De acordo com o liberalismo econômico, as pessoas com deficiência podem prosperar economicamente tendo a oportunidade de trabalhar no mercado livre. Isso pode ser feito fornecendo-lhes o treinamento e apoio necessários para ingressar na força de trabalho, além de fornecer-lhes acesso a capital e outros recursos. Além disso, o liberalismo econômico defende a proteção dos direitos de propriedade privada, que podem ajudar as pessoas com deficiência a possuir e administrar seus próprios negócios.

6) Como as pessoas com deficiência podem prosperar economicamente através do trabalho de acordo com o liberalismo econômico?

As pessoas com deficiência podem prosperar economicamente por meio do trabalho de acordo com o liberalismo econômico, tendo a oportunidade de trabalhar no mercado aberto. Isso pode ser feito fornecendo-lhes treinamento e suporte necessários para competir no mercado de trabalho. Além disso, o liberalismo econômico defende a remoção de barreiras ao emprego, como discriminação e práticas trabalhistas injustas, que podem impedir pessoas com deficiência de acessar o mercado de trabalho.

7) Como os doentes mentais podem prosperar de acordo com o liberalismo clássico?

O liberalismo clássico acredita que os indivíduos devem ser livres para perseguir seus próprios interesses e que o governo não deve interferir nessa liberdade. Isso significa que os doentes mentais devem ser capazes de perseguir seus próprios interesses e objetivos, e o governo não deve interferir nisso. Isso pode significar fornecer recursos e apoio para ajudar os doentes mentais a atingir seus objetivos, bem como fornecer acesso a cuidados de saúde e outros serviços.

segunda-feira, 13 de março de 2023

A ciência de sucesso e a publicidade

A ciência de sucesso popular e econômico tem elementos de publicidade. Um dos princípios é estar um pouco atrás da vanguarda para poder ser entendido. Outro princípio é a solução de problemas de imagem associados a um produto (científico). A ciência tem participação na produção econômica. Relações públicas é um dos elementos disso. Outro princípio é conseguir se inculcar na mediação das relações cotidianas e virar cultura popular. A mídia passa a ser feita pelo público.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Estatização da economia

O entusiasmo com a estatização da economia é motivado pela possibilidade de controle estatal, e portanto por decisões políticas, de quem vai prosperar e quem não vai. A burocracia controla toda a sociedade e produzir algo que as pessoas desejam (relações de troca) é o oposto desse projeto.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Algumas limitações das ciências sociais

1) Usam formulações mentalistas que descrevem a sociedade e a cultura de forma abstrata (pouco concreta) e ampla/abrangente.

2) Abominam falar em elementos naturais do comportamento humano. Acreditam que os "gestos" são completamente compreensíveis pelo social e incompatíveis com as descrições naturalistas. Os gestos para eles tem apenas conteúdo (mentalismo).

3) Abominam o behaviorismo radical/análise do comportamento que poderia contribuir na formulação de descrições concretas de processos biológicos e sociais.

4) Não acreditam em observação direta. Acreditam em observar a partir de olhar disciplinado por teorias ou ideologias. Isso pode levar não conseguir ver fatos físicos.

5) Muitas vezes dão a impressão que seus únicos clientes são as minorias, a esquerda e os movimentos sociais.

6) Defendem o "social" como sinônimo de algo bom e moral em detrimento do econômico ou de ideologias menos presentes na universidade como o liberalismo clássico e econômico.

7) Justificam, ou pelos os indivíduos agem assim, ideias sociais como status social e riso de comportamento percebido como anômalo que tem seu lado negativo e aspecto natural.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

A crítica à neutralidade científica na psicologia


Tecnociência Comercialmente Orientada e a Necessidade de Pesquisa Multiestratégica

https://www.youtube.com/watch?v=-bAzPe1Omms

A crítica à neutralidade científica na psicologia costuma ser utilizada para defender que a construção da ciência e suas aplicações devem ser guiadas por valores políticos e sociais (aqueles já presentes na universidade, os mais convenientes para construir carreiras e os mais influentes na mídia). A implicação do modelo de ciência e valores segundo essa palestra seria de que seria preciso variar os valores implícitos na construção da ciência e que a ciência deve ter o ideal de aplicação neutra (para o maior número de valores de pessoas e igualmente (inclusividade e equitatividade)). Por outro lado, a crítica à neutralidade científica na psicologia parece inspirada por um interesse de ativismo social e político (valores políticos e valores de interesses na aplicação) que o modelo de ciência e valores afirma que não devem afetar os valores cognitivos como critério único na condução imparcial de pesquisas, neutralidade cognitiva das pesquisas e na avaliação de teorias. Seria possível manter a crítica à neutralidade científica na psicologia mas aumentando a precisão de quais aspectos da ciência devem ser neutros e em quais os valores devem ser pluralistas. Ambos os aspectos não parecem estar sendo considerados dessa maneira atualmente.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Progressismo e liberalismo clássico: interesses ideológicos

Ideologias refletem grupos de interesse. Qual seriam os interesses concretos e os procedimentos das ideologias progressismo e liberalismo clássico?

Os procedimentos do liberalismo clássico são estabelecer boas instituições econômicas, sociais, civis e políticas para que as pessoas possam buscar as conquistas de seus interesses. As pessoas que optam pelo liberalismo clássico provavelmente se sentem capacitadas para realização e autonomia. Com boas instituições seria possível aumentar a quantidade e variedade de oportunidades de sucesso apesar das desigualdades. O papel dos intelectuais e dos funcionários públicos é menor nessa ideologia.

Os procedimentos do progressismo são a regulação e o subsídio estatais. Por conta de falhas de mercado, desvantagens de representação social, menos recursos iniciais e menos oportunidades essas pessoas preferem o apoio estatal. A busca é a igualdade no acesso a direitos sociais. Os funcionários públicos e os intelectuais podem justificar seu papel social e seus salários dessa maneira.

Então a opção ou concretização de uma ou outra ideologia é contingente às condições pré-requisito ou facilitadoras (ou o inverso).

sábado, 19 de novembro de 2022

Sociedade aberta - Popper / Medawar

 “Uma sociedade aberta, como a nossa, é uma sociedade na qual desacordo e dissidência, longe de serem proibidos, são usados ​​como instrumentos de melhoria social, pois é criticando a legislação pretendida antes que se torne estatutária que podemos esperar descobrir suas imperfeições a tempo de evitar cometer erros graves. Em uma sociedade aberta, as pessoas podem florescer em toda a sua rica e às vezes estranha diversidade de opiniões políticas, origens étnicas e crenças religiosas. Em uma sociedade fechada – Popper às vezes a chama de 'sociedade tribal' – estamos confinados pela submissão a forças políticas ou observâncias tribais. Somente uma 'sociedade aberta' liberta os poderes críticos do homem.” 

Peter Medawar, 'A Filosofia de Karl Popper'.

via página Karl Popper no facebook: https://www.facebook.com/popperian?__tn__=-UC*F

Diretriz para terapia com homens (BPS)

 https://cms.bps.org.uk/sites/default/files/2022-11/Practice%20Briefing%20-%20psychological%20interventions%20to%20help%20male%20adults.pdf

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Desigualdade / Inequality (Sowell)

 https://youtu.be/HrMRDohqqys

Thomas Sowell explains the true nature of inequality and what people need to realize about inequality in our world.

This is an excerpt from 'Discrimination and Disparities'


sábado, 27 de agosto de 2022

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Espaço público plural

 "Assim, é importante a luta para mantermos e aumentarmos um espaço público plural, através de um debate de ideias responsável e realista que permita mostrar quais seriam as melhores alternativas possíveis para a realidade nacional, sejam estas de esquerda ou de direita, socialistas, liberais ou conservadoras. E isso só pode ser conseguido se a política e a democracia deixarem de ser vistas e vividas simplesmente como um meio, e forem também um fim, a saber, um espaço imprescindível de exercício da liberdade."

Texto Os nomes dos bois na política no livro Crônicas da pólis. Autores Selvino J. Assmann e Héctor Ricardo Leis

terça-feira, 21 de junho de 2022

Foundations: Their Power and Influence

 http://libgen.rs/book/index.php?md5=8083BC22C655D66CED7A93144F456763

(livro)

Title:Foundations: Their Power and Influence
Author(s):Rene A. Wormser

Year:1993
Language:English


This is a searching analysis of some of America's most powerful tax-exempt foundations, their actions as opposed to their stated purpose's, the interlocking groups of men who run them, and their influence on the country at large. The author, as counsel to the Reece Committee, which investigated foundations for the last Republican Congress, gained a unique insight into the inner workings of the various Rockefeller, Carnegie and Ford-created giants. He also witnessed the intense and powerful opposition to any investigation of these multi-billion-dollar public trusts. The Reece investigation was virtually hamstrung from the start to its early demise- which was aided and abetted by leading newspaper of the country. "It is difficult for the public to understand," writes Mr. Wormser, "that some of the great foundations which have done so much for us in some fields have acted tragically against the public interest in others, but the facts are there for the unprejudiced to recognize." "The power of the individual foundation giant is enormous. When there is like-mindedness among a group of these giants, which apparently is due to the existence of a closely knit group of professional administrators in the social science field, the power is magnified hugely. When such foundations do good, they justify the tax-exempt status which the people grant them. When they do harm, it can be immense harm - there is virtually no counter-force to oppose them."

quarta-feira, 15 de junho de 2022

O segredo do sucesso

É ainda outro grande analista da vida nacional quem confirma esses traços hierarquizantes do nosso sistema, percebendo a figura que, de certo modo, personaliza o "Você sabe com quem está falando?". Falo, evidentemente, de Machado de Assis e da sua desconhecida "Teoria do medalhão". Trata-se de um diálogo, publicado em 1882 em Papéis avulsos, entre um velho e experiente pai e seu filho de 21 anos. Ao completar o rapaz a maioridade, o pai não pode deixar de revelar ao rebento o supremo segredo do sucesso em nosso meio: tornar-se um medalhão. A "teoria do medalhão" é, pois, a fórmula indicada para a obtenção do sucesso num mundo social dominado pelo convencionalismo, pela ortodoxia das teorias e doutrinas, pela rigidez das práticas jurídicas, pelo modismo e conformismo que impedem as soluções originais e profundas. Numa palavra: pelo sistema hierarquizado, que põe tudo em seus lugares, sempre acha o lugar para todas as inovações, detesta examinar-se e, por meio de suas próprias forças e dinamismo, mudar o lugar das coisas que nele já existem. Diz, então, o pai:

Um discurso de metafísica política apaixona naturalmente os partidos e público, chama apartes e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Neste ramo dos conhecimentos humanos tudo está acabado, formulado, rotulado, encaixotado (...). Em todo o caso, não transcendas nunca - completa o pai - os limites de uma invejável vulgaridade. [Logo em seguida, sugere ao rapaz o uso da expressão "filosofia da história"...] Uma boa locução que deves empregar com frequência, mas proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade, etc. etc.

Como se observa, são muitos os filhos desse zeloso pai.

Trecho do livro Você sabe com quem está falando? Estudos sobre o autoritarismo brasileiro do antropólogo Roberto DaMatta.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Social Justice and the Language of Elites

 https://www.youtube.com/watch?v=mJKvIf9WjJY

Does social justice rhetoric help uplift the marginalized—or is it simply a game of elite virtue signaling that often ignores their perspectives?

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Crise do Estado de bem-estar social

 https://cemap-interludium.org.br/wp-content/uploads/Habermas-nova-intranspar%C3%AAncia.pdf

Texto de Habermas

Esclarecedor da situação política atual.

"A política neoconservadora tem uma certa possibilidade de realização se ela encontrar uma base nessa sociedade cindida, segmentada, que ela mesma produz. Os grupos excluídos ou oprimidos à margem não dispõem de nenhum poder de veto, pois representam uma desarticulada minoria segregada do processo de produção. O padrão cada vez mais utilizado no quadro internacional entre a metrópole e a periferia subdesenvolvida parece reiterar-se no interior da sociedade capitalista desenvolvida: os poderes estabelecidos dependem cada vez menos do trabalho e da disposição de cooperação dos empobrecidos e privados de direitos para sua própria reprodução. Entretanto, uma política precisa não apenas poder se impor, ela tem de funcionar também. Mas um abandono definitivo dos compromissos sócio-estatais deixaria, necessariamente, vazios funcionais que só poderiam ser preenchidos através de repressão ou desamparo."

segunda-feira, 25 de abril de 2022

Valores sociopolíticos e psicoterapia

Valores sociopolíticos: o fator negligenciado na psicoterapia culturalmente competente

R. E. Redding (*) Fowler School of Law, Chapman University, Orange, CA, EUA e-mail: redding@chapman escolhas .edu

 O papel dos valores sociopolíticos continua sendo um fator negligenciado na prática clínica. Muitos médicos cometem regularmente “má prática cultural” ao não levar em conta seus próprios valores sociopolíticos e os de seus clientes. No entanto, os valores sociopolíticos podem ser o fator mais importante a ser considerado em qualquer psicoterapia culturalmente competente que seja verdadeiramente centrada no cliente. Os valores sociopolíticos são frequentemente centrais para a personalidade e identidade de um cliente. Como tal, compreender os valores sociopolíticos de um cliente pode ser útil terapeuticamente, e uma congruência entre os valores sociopolíticos do terapeuta e do cliente pode melhorar o relacionamento terapêutico. Embora a falta de congruência de valores possa ser prejudicial ao relacionamento terapêutico, isso não precisa ser o caso se o terapeuta for culturalmente sensível. Como os profissionais de saúde mental se inclinam politicamente para a esquerda, eles devem estar cientes do fato de que seus clientes politicamente conservadores, libertários e centristas não compartilharão muitos de seus valores. Os clínicos devem ser sensíveis ao impacto que isso pode ter na aliança terapêutica e às formas como isso influencia seu diagnóstico e terapia. Garantir que os médicos sejam culturalmente sensíveis em relação aos valores sociopolíticos exigirá mudanças sistêmicas na forma como as profissões de saúde mental conceituam a prática cultural e eticamente competente, desenvolvem e avaliam padrões e diretrizes para a prática multicultural e recrutam e educam os médicos. Enquanto esses avanços estão se desenvolvendo, no entanto, os médicos podem adotar práticas para ajudar a garantir que serão culturalmente competentes ao trabalhar com clientes que têm valores sociopolíticos diferentes dos seus. 

Palavras-chave Crenças políticas · Competência cultural · Viés · Psicoterapia · Relação terapêutica

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Vladimir Putin sobre justiça social e URSS

PORTUGUÊS

Finalmente, você sabe que o próprio Vladimir Putin está capitalizando essa loucura despertada? Anna Mahjar-Barducci em MEMRI.org cobriu seu discurso recente. Cito a tradução do artigo: “Os defensores do chamado ‘progresso social’ acreditam que estão apresentando à humanidade algum tipo de consciência nova e melhor. Godspeed, içar as bandeiras, como dizemos, vá em frente. A única coisa que quero dizer agora é que suas prescrições não são nada novas. Pode ser uma surpresa para algumas pessoas, mas a Rússia já esteve lá. Após a revolução de 1917, os bolcheviques, apoiando-se nos dogmas de Marx e Engels, também disseram que mudariam os modos e costumes existentes, e não apenas políticos e econômicos, mas a própria noção de moral humana e os fundamentos de uma sociedade saudável . A destruição de valores antigos, religião e relações entre as pessoas, até e incluindo a rejeição total da família (também tivemos isso), encorajamento para informar (dedurar) os entes queridos - tudo isso foi proclamado progresso e, a propósito, foi amplamente apoiado em todo o mundo naquela época e estava bastante na moda, assim como hoje. A propósito, os bolcheviques eram absolutamente intolerantes com outras opiniões que não as deles. 

“Isto, acredito, deve trazer à mente um pouco do que estamos testemunhando agora. Olhando para o que está acontecendo em vários países ocidentais, ficamos surpresos ao ver as práticas domésticas – que, felizmente, deixamos, espero – no passado distante. A luta pela igualdade e contra a discriminação se transformou em um dogmatismo agressivo que beira o absurdo, quando as obras dos grandes autores do passado – como Shakespeare – não são mais ensinadas em escolas ou universidades, porque se acredita que suas ideias são retrógradas. Os clássicos são declarados atrasados ​​e ignorantes da importância de gênero ou raça. Em Hollywood, memorandos são distribuídos sobre a narrativa adequada e quantos personagens de que cor ou gênero devem estar em um filme. Isso é ainda pior do que o departamento de agitprop do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética”.

 Finally, do you know that Vladimir Putin himself is capitalizing on this woke madness? Anna Mahjar-Barducci at MEMRI.org covered his recent speech. I quote from the article’s translation: “The advocates of so-called ‘social progress’ believe they are introducing humanity to some kind of a new and better consciousness. Godspeed, hoist the flags, as we say, go right ahead. The only thing that I want to say now is that their prescriptions are not new at all. It may come as a surprise to some people, but Russia has been there already. After the 1917 revolution, the Bolsheviks, relying on the dogmas of Marx and Engels, also said that they would change existing ways and customs, and not just political and economic ones, but the very notion of human morality and the foundations of a healthy society. The destruction of age-old values, religion, and relations between people, up to and including the total rejection of family (we had that, too), encouragement to inform on loved ones — all this was proclaimed progress and, by the way, was widely supported around the world back then and was quite fashionable, same as today. By the way, the Bolsheviks were absolutely intolerant of opinions other than theirs. Advertisement This advertisement has not loaded yet, but your article continues below. Article content “This, I believe, should call to mind some of what we are witnessing now. Looking at what is happening in a number of Western countries, we are amazed to see the domestic practices — which we, fortunately, have left, I hope — in the distant past. The fight for equality and against discrimination has turned into aggressive dogmatism bordering on absurdity, when the works of the great authors of the past — such as Shakespeare — are no longer taught at schools or universities, because their ideas are believed to be backward. The classics are declared backward and ignorant of the importance of gender or race. In Hollywood, memos are distributed about proper storytelling and how many characters of what color or gender should be in a movie. This is even worse than the agitprop department of the Central Committee of the Communist Party of the Soviet Union.”


sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Neoliberalismo

Pragmaticamente e a nível pessoal a crítica ao neoliberalismo parece ser a ideia de que todos deveriam ser funcionários públicos e que ninguém deveria estar sujeito ao mercado. Indispor pessoas contra o mercado não parece favorecer que os excluídos tenham mais oportunidades, apesar de consequências negativas que o capitalismo possa produzir em certas situações.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Transexualidade, Intersexualidade & Liberalismo

 https://www.youtube.com/watch?v=8yybsTMe3OY

No Brasil é muito comum que influenciadores da comunidade LGBTQI+ sejam marxistas, quando se fala de transexuais fica ainda mais difícil encontrar pessoas fora desse espectro. Entretanto nossa equipe conseguiu encontrar duas representantes da causa trans, sendo que uma delas intersexo que se consideram liberais.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Ciências sociais de esquerda: por que?

 https://www.youtube.com/watch?v=YQhvNnIpEEE

Adriano Paranaiba convida Marize Schons e Gustavo Maultasch para ajudar-nos a entender um pouco mais sobre a dominação da esquerda nas ciências sociais.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Educação geral do Estado

 Uma educação geral do Estado é um mero artifício para moldar as pessoas para serem exatamente iguais: e como o molde em que as molda é o que agrada ao poder predominante no governo, seja este um monarca, um sacerdócio, uma aristocracia, ou a maioria da geração existente; na medida em que é eficiente e bem-sucedido, estabelece um despotismo sobre a mente, levando por tendência natural a um sobre o corpo. —John Stuart Mill

terça-feira, 7 de setembro de 2021

A ameaça da esquerda iliberal

 https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,the-economist-a-ameaca-da-esquerda-iliberal,70003831741

via Eli Vieira

Diversity, Inclusion, Equity

Diversity, Inclusion, Equity | James Lindsay

 https://www.youtube.com/watch?v=3jLNgLABuTw

via Twitter Eli Vieira

Irracionalidade política

 https://criticanarede.com/irracionalidadepolitica.html

Via Twitter Eli Vieira

Marxismo

 https://xibolete.org/marxismo/

Via Eli Vieira

SOBRE A DESIGUALDADE (Harry G. Frankfurt)

 https://www.travessa.com.br/sobre-a-desigualdade-1-ed-2016/artigo/000ae04f-4cee-4222-b1d5-a90009acf9d9

SOBRE A DESIGUALDADE - 1ªED.(2016)

autor: Harry G. Frankfurt

SINOPSE

A desigualdade económica suscita pouco consenso nos tempos que correm. No entanto, poucos argumentariam que a desigualdade é um mal maior do que a pobreza. Os pobres sofrem porque não têm o suficiente e não porque os outros têm muito. Neste livro provocador, o autor, um dos filósofos morais mais influentes da actualidade, apresenta uma resposta convincente e perturbadora para os que acreditam que o objectivo da justiça social deve ser a igualdade económica ou menos desigualdade. Argumenta que estamos moralmente obrigados a eliminar a pobreza, não a alcançar a igualdade ou a diminuir a desigualdade. Devemos estar focados em garantir que todos têm dinheiro suficiente para viver uma vida decente. Focar-se, ao invés, na desigualdade é perturbador e alienante. Se nos dedicarmos a garantir que todos tenham o suficiente, podemos reduzir a desigualdade como um efeito colateral. Contudo, sublinha que é essencial considerar que o objectivo último da justiça é acabar com a pobreza, e não com a desigualdade. Trata-se de um livro com grande impacto num dos grandes debates do nosso tempo.

Via Eli Vieira

http://libgen.rs/book/index.php?md5=1C1242A9938F33258734DD7FF8B05545

http://libgen.rs/book/index.php?md5=A7833D835C768E800C5181B6E4E919E0

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Feminismo como sexismo

Feminismo como sexismo


David Benatar - The Second Sexism

Janet Radcliffe Richards - The Sceptical Feminist

Daphne Patai & Noretta Koertge - Professing Feminism


via twitter de Eli Vieira

terça-feira, 17 de agosto de 2021

A miragem da justiça social (Hayek)

 http://libgen.rs/book/index.php?md5=09A2E27758607FE5F8BAF44D5BEF9121


Title:A Miragem da Justiça SocialVolume: 2
Author(s):F. A. Hayek
Series:Direito, Legislação e Liberdade: Uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia políticaPeriodical:
Publisher:VisãoCity:São Paulo
Year:1985Edition:
Language:Portuguese

The Superior Virtue of the Oppressed (Bertrand Russell)

 The Superior Virtue of the Oppressed

Bertrand Russell. Unpopular Essays.

One of the persistent delusions of mankind is that some sections of the human race are morally better or worse than others. This belief has many different forms, none of which has any rational basis. It is natural to think well of ourselves, and thence, if our mental processes are simple, of our sex, our class, our nation, and our age. But among writers, especially moralists, a less direct expression of self-esteem is common. They tend to think ill of their neighbors and acquaintances, and therefore to think well of the sections of mankind to which they themselves do not belong.

Lao-tse admired the "pure men of old," who lived before the advent of Confucian sophistication. Tacitus and Madame de Staël admired the Germans because they had no emperor. Locke thought well of the "intelligent American" because he was not led astray by Cartesian sophistries.

A rather curious form of this admiration for groups to which the admirer does not belong is the belief in the superior virtue of the oppressed: subject nations, the poor, women, and children. The eighteenth century, while conquering America from the Indians, reducing the peasantry to the condition of pauper laborers, and introducing the cruelties of early industrialism, loved to sentimentalize about the "noble savage" and the "simple annals of the poor." Virtue, it was said, was not to be found in courts: but court ladies could almost secure it by masquerading as shepherdesses. And as for the male sex:

Happy the man whose wish and care

A few paternal acres bound.

Nevertheless, for himself Pope preferred London and his villa at Twickenham.

At the French Revolution the superior virtue of the poor became a party question, and has remained so ever since. To reactionaries they became the "rabble'* or the "mob." The rich discovered, with surprise, that some people were so poor as not to own even "a few paternal acres." Liberals, however, still continued to idealize the rural poor, while intellectual

Socialists and Communists did the same for the urban proletariat—a fashion to which, since it only became important in the twentieth century, I shall return later.

Nationalism introduced, in the nineteenth century, a substitute for the noble savage—the patriot of an oppressed nation. The Greeks until they had achieved liberation from the

Turks, the Hungarians until the Ausgleich of 1867, the Italians until 1870, and the Poles until after the 1914-18 war were regarded romantically as gifted poetic races, too idealistic to succeed in this wicked world. The Irish were regarded by the

English as possessed of a special charm and mystical insight until 1921, when it was found that the expense of continuing to oppress them would be prohibitive. One by one these various nations rose to independence, and were found to be just like everybody else; but the experience of those already liberated did nothing to destroy the illusion as regards those who were still struggling. English old ladies still sentimentalize about the "wisdom of the East" and American intellectuals about the "earth consciousness" of the Negro.

Women, being the objects of the strongest emotions, have been viewed even more irrationally than the poor or the subject nations. I am thinking not of what poets have to say but of the sober opinions of men who imagine themselves rational.

The church had two opposite attitudes: on the one hand, woman was the Temptress, who led monks and others into sin; on the other hand, she was capable of saintliness to an almost greater degree than man. Theologically, the two types were represented by Eve and the Virgin. In the nineteenth century the temptress fell into the background; there were, of course, "bad" women, but Victorian worthies, unlike St. 

Augustine and his successors, would not admit that such sinners could tempt them, and did not like to acknowledge their existence. A kind of combination of the Madonna and the lady of chivalry was created as the ideal of the ordinary married woman. She was delicate and dainty, she had a bloom which would be rubbed off by contact with the rough world, she had ideals which might be dimmed by contact with wickedness; like the Celts and the Slavs and the noble savage, but to an even greater degree, she enjoyed a spiritual nature, which made her the superior of man but unfitted her for business or politics or the control of her own fortune. This point of view is still not entirely extinct. Not long ago, in reply to a speech I had made in favor of equal pay for equal work, an English schoolmaster sent me a pamphlet published by a schoolmasters' association, setting forth the opposite opinion, which it supports with curious arguments. It says of woman: "We gladly place her first as a spiritual force; we acknowledge and reverence her as the 'angelic part of humanity'; we give her superiority in all the graces and refinements we are capable of a human beings; we wish her to retain all her winsome womanly ways." "This appeal"—that women should be content with lower rates of pay—"goes forth from us to them," so we are assured, "in no selfish spirit, but out of respect and devotion to our mothers, wives, sisters, and daughters. . . . Our purpose is a sacred one, a real spiritual crusade."

Fifty or sixty years ago such language would have roused no comment except on the part of a handful of feminists; now, since women have acquired the vote, it has come to seem an anachronism. The belief in their "spiritual" superiority was part and parcel of the determination to keep them inferior economically and politically. When men were worsted in this battle, they had to respect women, and therefore gave up offering them "reverence" as a consolation for inferiority.

A somewhat similar development has taken place in the adult view of children. Children, like women, were theologically wicked, especially among evangelicals. They were limbs of Satan, they were unregenerate; as Dr. Watts so admirably put it:

One stroke of His almighty rod

Can send young sinners quick to Hell.

It was necessary that they should be "saved." At Wesley's school "a general conversion was once effected, . . . one poor boy only excepted, who unfortunately resisted the influence of the Holy Spirit, for which he was severely flogged. . . ."

But during the nineteenth century, when parental authority, like that of kings and priests and husbands, felt itself threatened, subtler methods of quelling insubordination came into vogue. Children were "innocent"; like good women they had a "bloom"; they must be protected from knowledge of evil lest their bloom should be lost. Moreover, they had a special kind of wisdom. Wordsworth made this view popular among English-speaking people. He first made it fashionable to credit children with tHigh instincts before which our mortal nature

Did tremble like a guilty thing surprised. No one in the eighteenth century would have said to his littledaughter, unless she were dead:

Thou liest in Abraham's bosom all the year

And worships't at the temple's inner shrine.

But in the nineteenth century this view became quite common; and respectable members of the Episcopal church—or even of the Catholic church—shamelessly ignored Original Sin to dally with the fashionable heresy that

... trailing clouds of glory do we come

From God who is our home:

Heaven lies about us in our infancy.


This led to the usual development. It began to seem hardly right to spank a creature that was lying in Abraham's bosom, or to use the rod rather than "high instincts" to make it "tremble like a guilty thing surprised." And so parents and schoolmasters found that the pleasures they had derived from inflicting chastisement were being curtailed and a theory of education grew up which made it necessary to consider the child's welfare, and not only the adult's convenience and sense of power.

The only consolation the adults could allow themselves was the invention of a new child psychology. Children, after being limbs of Satan in traditional theology and mystically illuminated angels in the minds of educational reformers, have reverted to being little devils—not theological demons inspired by the Evil One, but scientific Freudian abominations inspired by the Unconscious. They are, it must be said, far more wicked than they were in the diatribes of the monks; they display, in modern textbooks, an ingenuity and persistence in sinful imaginings to which in the past there was nothing comparable except St. Anthony. Is all this the objective truth at last? Or is merely an adult imaginative compensation for being no longer allowed to wallop the little pests? Let the Freudians answer, each for the others.

As appears from the various instances that we have considered, the stage in which superior virtue is attributed to the oppressed is transient and unstable. It begins only when the oppressors come to have a bad conscience, and this only happens when their power is no longer secure. The idealizing of the victim is useful for a time: if virtue is the greatest of goods, and if subjection makes people virtuous, it is kind to refuse them power, since it would destroy their virtue. If it is difficult for a rich man to enter the kingdom of heaven, it is a noble act on his part to keep his wealth and so imperil his eternal bliss for the benefit of his poorer brethren. It was a fine self-sacrifice on the part of men to relieve women of the dirty-work of politics. And so on. But sooner or later the oppressed class will argue that its superior virtue is a reason in favor of its having power, and the oppressors will find their own weapons turned against them. When at last power has been equalized, it becomes apparent to everybody that all the talk about superior virtue was nonsense, and that it was quite unnecessary as a basis for the claim to equality.

In regard to the Italians, the Hungarians, women, and children, we have run through the whole cycle. But we are still in the middle of it in the case which is of the most importance at the present time—namely, that of the proletariat. 

Admiration of the proletariat is very modern. The eighteenth century, when it praised "the poor," thought always of the rural poor. Jefferson's democracy stopped short at the urban mob; he wished America to remain a country of agriculturists. 

Admiration of the proletariat, like that of dams, power stations, and airplanes, is part of the ideology of the machine age.

Considered in human terms, it has as little in its favor as belief in Celtic magic, the Slav soul, women's intuition, and children's innocence. If it were indeed the case that bad nourishment, little education, lack of air and sunshine, unhealthy housing conditions, and overwork produce better people than are produced by good nourishment, open air, adequate education and housing, and a reasonable amount of leisure, the whole case for economic reconstruction would collapse, and we could rejoice that such a large percentage of the population enjoys the conditions that make for virtue. But obvious as this argument is, many Socialist and Communist intellectuals consider it de rigueur to pretend to find the proletariat more amiable than other people, while professing a desire to abolish the conditions which, according to them, alone produce good human beings. Children were idealized by Wordsworth and un-idealized by Freud. Marx was the Wordsworth of the proletariat; its Freud is still to come.